terça-feira, 3 de maio de 2011

A IMPORTÂNCIA DO TEXTO TEATRAL

Ola!

Dias atrás, conversando com uma amiga editora, soube que há escassez de textos teatrais para crianças e jovens, publicados em livros. Esse, a meu ver, é um problema cíclico: o autor não escreve texto de teatro porque o editor não quer publicá-lo, pois os professores não querem adotá-lo. Enfim, uma cadeia de nãos. Então o mercado literário infantil e juvenil fica sem bons textos dramatúrgicos e os programas de governo reclamam da falta de livros desse tipo inscritos.

Decidi, pois, publicar aqui, para quem interessar ler, um artigo do professor Carlos Augusto Nazareth que, em poucas palavras, resume a importância da leitura do texto teatral na escola. Veja só!


A importância da leitura do texto teatral na formação do leitor

Carlos Augusto Nazareth

O texto teatral não faz parte do universo do leitor brasileiro. Verificamos esta realidade muito mais acentuada quando o foco é o âmbito escolar. Normalmente o texto teatral é tomado como algo que apenas interessa às pessoas de teatro e que visa, unicamente, a montagem teatral. Esta questão tem suscitado uma profícua discussão sobre suas possibilidades enquanto meio de ampliação das habilidades de leitura.“Os professores que estão atuando em escolas públicas e particulares no Brasil, ao oferecerem gêneros textuais a seus alunos como o objetivo que possam construir o significado dos textos, num processo de recepção singular, se considerados os referenciais dos leitores e a busca do contexto e dar referências do autor, têm deixado de lado nesse processo o texto dramatúrgico, o texto teatral" (RÖSING, 2005). Os Parâmetros Curriculares Nacionais: língua portuguesa recomendam a diversidade de textos, assinalando o texto teatral, tanto no ensino de primeira a quarta série como no ensino de quinta a oitava série e no ensino médio - como forma de ampliação das possibilidades de leitura do mundo. No entanto, a preferência pelo gênero narrativo é quase absoluta, com um pequeno espaço pra o texto lírico e uma total escassez de atividades e metodologias em torno do texto dramático. Embora previstos nos programas, é sabido que as escolas, nos diversos níveis de ensino não promovem o contato previsto entre aluno e texto teatral.“A criança aprende poesia e prosa, mas a dramaturgia nunca foi pensada e lhe é negada” ( BARCELOS, 1975). “A escola está negligenciando a formação de outra categoria de leitores aqueles capazes de interagir com a arte dramática, seja como público receptor de espetáculos teatrais, seja como aprendizes ou praticantes de atividades que envolvem o texto teatral e a arte dramática. Assim, no nosso entender, um único equívoco – a negação da leitura do texto dramático – apresenta duas consequências negativas: o afastamento do leitor do texto dramático impresso e da arte dramática, para a qual o texto é elemento fundamental.” ( GRAZIOLI, 2007). A partir do comentário de Grazioli podemos acrescentar que a leitura do texto dramático é uma forma sim de aproximar o leitor do teatro. O texto dramático é o único elemento permanente da representação teatral, já que o espetáculo teatral é efêmero – dura o tempo de uma apresentação e não se repete. O texto teatral, considerado uma obra de arte intermediária, que só se completa no palco, também se completa, no imaginário do leitor.
A estrutura do texto dramático

Uma das diferenças fundamentais entre o texto narrativo e o texto dramático é que o texto narrativo CONTA uma história enquanto o texto dramático MOSTRA uma história. Esta diferença se fortifica pela ausência do narrador no texto dramático. Evidentemente o texto narrativo é lacunoso, no sentido de permitir a interação entre leitor e texto, no entanto o texto dramático, pela sua estrutura e pela ausência do narrador é, certamente, mais lacunoso que o texto narrativo, permitindo ao leitor uma ação mais efetiva como co-autor do texto, que o leitor do texto narrativo. O texto dramático reproduz em discurso direto as falas dos personagens. Estas falas têm função dramática, pois criam uma ação dramática. Têm um objetivo, um fim determinado e através dos diálogos revelam os personagens, suas características, maneiras de agir e de ser. Além disso, outra diferença fundamental entre o texto narrativo e o texto dramático é a sua construção em dois níveis. Um, constituído pelas falas dos personagens e o outro pelas rubricas que nos dão informação sobre movimentação da cena redigida, do clima da cena, do estado do personagem e seu caráter. Portanto essas diferenças e peculiaridades têm que ser mostradas ao leitor, para que ele possa entender a história “vendo” a cena em seu imaginário, sem necessidade de um palco real. Um palco imaginário,com movimentação, cenário, figurinos vai se formando como um quadro, pois o texto fornece elementos que lhe possibilitam visualizar a história, “ver” a história, por isso dizemos que o texto dramático MOSTRA.O objetivo central é capacitar o leitor a interagir com o texto teatral em sua versão impressa e, consequentemente, com a atividade dramática que se projeta, a partir do texto. Assim transitamos, através do texto, pelas Artes Cênicas, pela literatura dramática e pela leitura – em seu sentido mais amplo. Cada gênero ativa de forma diferenciada a imaginação. O texto dramático ativa a capacidade de visualizar a cena da história, a forma como aconteceu; resgata a história e o sentimento da história, seja para o espectador, seja para os leitores.O método Waldorf de pedagogia fala desta questão, no seu processo de ensino-aprendizagem criado pelo filósofo Steiner.“A habilidade na leitura requer muito mais do que parece à primeira vista. As pessoas geralmente concebem a leitura como a habilidade em reconhecer a configuração de letras dispostas numa página e em pronunciar as palavras e frases nelas representadas. Mas a leitura é muito mais do que isso que nos acostumamos a ver! Além do processo superficial de decodificar palavras em uma página, há ainda a correspondente atividade interior a ser cultivada para que uma verdadeira leitura possa ocorrer. Os professores Waldorf chamam esta atividade de "vivenciando a história". (Rudolf Steiner)Quando uma criança está vivenciando uma história, ela forma cenas da sua imaginação no seu interior, em resposta às palavras. Através da habilidade de formar imagens mentais, de compreender, a criança descobre sentido na atividade de leitura.


Se você é autor e gosta de escrever dramaturgia, não deixe de fazer isso!

Se você é editor, não torça o nariz para bons textos de teatro; publique-os!

Se você é professor, inclua livros de teatro nas suas aulas!

Obrigada.

3 comentários:

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    Sobre o poeta e editor Carlos Robero de Souza:

    1964: Nasce em Machado-MG
    1966: Muda-se para São Paulo/SP, onde surge sua paixão pelo Cinema.
    1995: Retorna para Machado, passando a pesquisar a trajetória do Cinema local.
    2005: Edita a Revista do Cinema Machadense (1911-2005)
    2006: Compõe três letras gravadas pela banda finlandesa “Força Macabra”
    2008: Lança o livro “O Anjo e a Tempestade” sob o pseudônimo Agamenon Troyan.
    2008: Edita o Fanzine Episódio Cultural
    2009: Edita o Jornal Ciclone
    2010: Novo membro da Academia Machadense de Letras
    2010: Destaque do ano (Troféu Carlos Drummond de Andrade”/Itabira-MG)

    Vídeos

    Revista do Cinema Machadense; pela TV Alterosa (SBT)
    http://www.youtube.com/watch?v=msoR2iUr-8M

    Livro “O Anjo e a Tempestade” e Fanzine Episódio Cultural
    http://www.youtube.com/watch?v=5gyGLdnpuvQ

    FUI ENTREVISTADO PELO "CARDÁPIO CULTURAL". ACESSEM
    http://cardapiocultural.podbean.com/2010/03/12/poetas-e-poesias/ E
    CLIQUEM EM “POETAS E POESIAS” PARA OUVI-LA.

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